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Notas
soltas Êxito
do 2º curso “Julgar Modelo e Andamentos nos dias 10 e 11 de Janeiro Teve um enorme sucesso a
iniciativa da Associação Portuguesa do Cavalo Árabe e da Associação
Portuguesa do Cavalo Anglo-árabe, organizando pela 2ª vez o curso “Julgar
Modelo e Andamentos”.
Deveriam ser só 15 a 20
participantes. Eram 40, e muitos foram aqueles que já não se puderam inscrever
por falta de vagas.
Foi na histórica
Coudelaria Nacional, amavelmente posta à nossa disposição pelo seu ilustre
Director, Senhor Dr. Mário Barbosa, que se desenrolou o curso. O seminário,
que estudou o julgamento de animais de todas as raças, estava aberto sem restrições
a qualquer interessado, fosse ele criador, proprietário, juiz, candidato a juiz
ou simples amador, e destinava-se a todos aqueles que desejavam aumentar os seus
conhecimentos. As suas
principais finalidades eram a de instruir, a de preparar novos juízes e a de
tornar os julgamentos mais homogéneos. Como conferencista foi escolhido o Senhor Alain James, que lecciona um pouco por todo o Mundo. Ocupa os importantes cargos de Director das Relações Internacionais dos “Haras Nacionaux Français” e de Juiz Internacional. Antigo Director de vários “Haras Nationaux”, é Presidente da “Commission de Concours Complet en France”e foi o obreiro do tão importante “Mondial Jeunes Chevaux – CCI du Lion d’Angers”, o duríssimo campeonato do mundo de jovens cavalos que atrai as principais vedetas da especialidade. Muito claro nas suas explicações, aberto e extremamente modesto (embora julgue uns 1500 cavalos por ano), cativou rapidamente a assistência, que lhe manifestou a sua admiração. O curso
teve uma duração de 2 dias. De manhã, no bonito anfiteatro e com a ajuda de
uma projecção de diapositivos ou filmes, foi dada a parte teórica. De tarde,
no picadeiro, teve lugar a parte prática, examinando-se os animais bem
apresentados pelos funcionários da Coudelaria Nacional, na sua impecável e
bonita farda preta. Ao fim da tarde voltava-se ao anfiteatro onde, com a ajuda
do filme feito durante o “julgamento”, se analisavam as razões das críticas
ou dos elogios aos animais apresentados. Os
assuntos tratados foram distribuídos numa sucessão coerente e extremamente
atraente: análise dos objectivos e interesses de um julgamento, princípios de
um julgamento, análise minuciosa do modelo do cavalo, análise detalhada dos
seus 3 movimentos, como preparar um animal para um concurso, como apresentar o
cavalo ao júri de classificação, julgar o cavalo a saltar, etc. Alguns
participantes vieram do Algarve, outros do Douro ou do Minho, muitos do
Alentejo. Eles foram a melhor prova do interesse do curso, do interesse que há
em aprender, da necessidade de iniciativas deste género. No dizer de todos este
seminário foi de grande utilidade, como tão bem o exprimiu um participante,
exclamando “Isto é um espectáculo !”. Saber apreciar
convenientemente um cavalo tem uma influência considerável na qualidade da
criação cavalar nacional e um concurso de Modelo e Andamentos bem julgado é
uma prova que se reveste do maior interesse para orientação dos Criadores na
selecção de reprodutores, bem como para todos os profissionais ou amadores. A organização
deste seminário insere-se numa série de medidas que têm por finalidade
aumentar o conhecimento e a importância dos concursos de Modelo e Andamentos.
Aquelas iniciativas começaram pela compilação de um Regulamento Nacional de
Concursos de Modelo e Andamentos, que foi homologado pelo Serviço Nacional Coudélico. Em continuação,
os Criadores e Proprietários de Puro Sangue Árabe e Anglo-árabe, procederam
à elaboração de uma lista de juízes, bem como ao recrutamento de candidatos
a juízes, que já começaram a praticar dando notas nos concursos sob a orientação
de um Juiz (não influenciando portanto a classificação). Brevemente
teremos também um indispensável Regulamento de Julgamentos. Estas acções
são acompanhadas, no Puro Sangue Árabe e no Anglo-árabe, de provas
desportivas de selecção (ensino, cross e resistência), que se disputam em
Outubro de cada ano na Fonte Boa, e que também têm como objectivo contribuírem
activamente para a selecção dos melhores reprodutores, elementos essenciais
para o prestígio dos cavalos nascidos em Portugal. É nosso dever exteriorizar publicamente os vivos agradecimentos dos organizadores ao Senhor Alain James, que tanto nos ensinou e que fará o favor de enviar aos participantes um diploma certificando que frequentaram o “ Cours International de Juges de Morphologie” (tal como no primeiro curso). Também
é necessário lembrar e agradecer a disponibilidade e preciosa ajuda do Senhor
Dr. Mário Barbosa e de toda a sua tão simpática equipa, que pela sua colaboração
permitiu a realização deste evento. Enfim,
de notar que o seminário teve a honra de acolher o Excelentíssimo Director do
Serviço Nacional Coudélico, Senhor Dr. João Costa Ferreira, do Senhor Eng.
Fernando Palha, Presidente da Associação Portuguesa de Criadores de Raças
Selectas, bem como de muitos dos nossos principais Criadores. MH Legendas das fotografias
Fotografia 1
– O conferencista Senhor Alain James, expôs a teoria durante as manhãs Fotografia 2
– No primeiro dia de tarde foi estudada e notada a configuração de cada
animal apresentado Fotografia 3
– No segundo dia de tarde foram estudados e notados os movimentos dos animais
apresentados à mão, a saltar ou montados. Para a fotografia, os participantes
reuniram-se à volta de um dos animais apreciados Fotografia 4
– Os participantes almoçaram num ambiente de franca camaradagem Fotografia 5
– O diploma concedido aos participantes
SARDENHA uma ilha em que o Carnaval é uma imensa festa
equestre, uma festa única, esplendorosa e com mais de 500 anos de existência ! No Mediterrâneo, ao sul da Córsega, situa-se a bonita e surpreendente Ilha
da Sardenha. Ocupada sucessivamente pelos fenícios (700 a.C.), romanos, vândalos,
bizantinos, mouros, aragoneses, ingleses e austríacos, só no decorrer do século
XVIII passa para a Casa de Sabóia, sendo ainda hoje uma região autónoma da Itália. Com 24.000 km2 de planaltos e média montanha, 1.7000.000
habitantes e 10.000 cavalos de 1.800 criadores, fornece à Itália 30 % dos
animais de sela e possui 4.500 anglo-àrabes, seja 80 % do efectivo italiano. Mas se estes números surpreendem, que dizer de um Carnaval dedicado quase
exclusivamente a extraordinários e antiquíssimos jogos equestres ? Se a maioria das aglomerações organiza festividades estritamente ligados
ao cavalo, a mais célebre é sem dúvida a chamada “Sartiglia”, em Oristano. Provavelmente
com uma origem sarracena, a “Sartiglia” teve neste Carnaval de 2004 a sua
539ª edição ! No seu inicio reservada a uma elite, ela representa hoje a
cultura de um povo, que a vive profundamente e que a prepara durante todo o ano,
não se poupando a sacrifícios ou privações. Festa popular
de uma opulência rara, realizada na principal avenida da cidade de Oristano,
coberta por espessa camada de terra e areia, a Sartiglia é vista por uns 50.000
espectadores, entusiastas como raramente me foi dado encontrar. Numerosos são
os rituais que acompanham estas diversões que contam essencialmente 3 fases. A
primeira começa na manhã do domingo de Carnaval, no momento em que o “Componidori”,
uma espécie de rei que terá poder absoluto no desenrolar do torneio, se senta
numa cadeira instalada sobre uma mesa ricamente decorada. Aí, sob as ordens de
uma senhora idosa (“sa massaia manna”), ele é vestido por um grupo de
raparigas trajando a rigor (“is massaieddas”) e que a tradição obriga a
guardarem a sua pureza, pelo menos durante as festividades... Ao mesmo
tempo, todas as coudelarias (representadas na festa por 3 corcéis), abrem as
suas portas e enquanto os cavaleiros se vestem e os cavalos são aparelhados, um
sem fim de iguarias e bebidas é oferecido aos presentes. Depois de
vestido e de mascarado, o “Componidori”, é transportado, em braços,
directamente da cadeira para cima do cavalo que o espera à entrada da casa, ou
que nela foi introduzido. É que os pés do cavaleiro não podem tocar o chão,
o que seria um mau presságio. Em seguida é-lhe
entregue “sa pippia di maju”, um grande ramo de violetas, símbolo da
fertilidade, com o qual vai benzer a multidão que o aplaude, a ele e ao
sumptuoso cortejo que o segue. Este, precedido pelos trompetistas e tambores,
constitui a segunda parte da manifestação. No cortejo
sucedem-se as várias “equipas”, cada uma composta por 3 cavaleiros, num
total de mais de 120 “competidores”, todos ricamente vestidos e com uma
mascara idêntica que lhe esconde a cara (ninguém deve ser reconhecido ...). Os
cavalos que montam são na sua maioria bonitos anglo-árabes sardos que exibem
arreios extremamente adornados e coloridos. Ao assistir ao
magnífico, riquíssimo e inesquecível desfile, somos transportados à época
da renascença, época que se vai manter no nosso subconsciente durante a
terceira fase da festa, a justa ou torneio. Este jogo,
consiste em que os “competidores”, espada em riste, façam uma carga a
galope desenfreado e consigam enfiar a ponta da arma no pequeno orifício que se
encontra no centro de uma estrela fragilmente suspensa no fim do percurso.
Quando acontece, o que é relativamente raro (naquele dia só 12 em cento e
vinte, conseguiram), a multidão aplaude de pé, ruidosa e entusiasticamente,
enquanto os tambores e as trompetas se fazem ouvir em toda a cidade e arredores. O primeiro
concorrente é o “Componidori”, seguindo-se-lhe “su Segundo”, que
precede todos os outros. A competição
é aberta igualmente às mulheres, e foi com espanto que ouvimos dizer que entre
as amazonas sardas estava a filha da antiga cavaleira olímpica francesa Janou
Lefévre. Enfim, o último
concorrente é de novo o “Componidori”, mas desta vez em lugar da espada vai
tentar o desafio com uma lança. Se consegue é o delírio da multidão. A um sinal do
“Componidori”, o torneio termina, o cortejo atravessa a cidade e dirige-se
para outra rua, onde todos se vão apresentar de novo na “pariglia”, uma
exibição de difíceis figuras acrobáticas compostas por grupos de três
cavaleiros. Enfim, a noite
já vai longa e é o momento de ir provar os petiscos que todas as casas
prepararam e que estão ao dispor dos convidados. E na terça-feira
de Carnaval tudo recomeça. Mas a
Sartiglia não é o único o jogo equestre dos dias de Carnaval na Sardenha. Por
todas as aldeias há festividades de Entrudo em que o cavalo é rei, cada uma
com as suas características próprias. Por exemplo,
na segunda-feira assisti a outra festividade, a “Sa Carrela e Nanti”, em
Santu Lussurgio. Também aqui a
multidão se apinha de um e outro lado da estreita rua principal da povoação,
pronta para aplaudir os seus ídolos. Todas as casas estão abertas e os anfitriões
sentem-se orgulhosos de nos oferecer um copo de bom vinho acompanhado de
petiscos. Os
concorrentes, dignamente fantasiados, devem descer a rua tortuosa a galope de
corrida, dois a dois, de braço dado. O jogo consiste em fazerem o percurso com
a maior rapidez possível, sem perderem o contacto dos braços, o que àquela
velocidade, com o declive, as curvas e a presença do público ao longo da rua,
não é tarefa fácil sendo até perigosa. Trata-se de um espectáculo de
arrepiar, em que a coragem dos cavaleiros (e dos espectadores ...), não deixa a
menor das dúvidas. Vale a pena !
Vale muito a pena ir à Sardenha no momento do Carnaval, para viver a emoção e
a feérica beleza de jogos equestres cuja origem se perde na noite dos tempos. E também para
apreciar uma ilha de cavaleiros, a sincera amabilidade dos sardos, as lindas
paisagens da ilha e o maravilhoso exemplo do amor pelo cavalo e pela tradição. Fotografias
do autor Legendas das
fotografias
1 – Os
arreios são minuciosamente decorados durante todo o ano 2 – A
mascara é idêntica para todos os concorrentes 3 – O
cortejo abre com os trompetistas e tambores 4 e 5 – O
“Componidori” benze a multidão com um ramo de violetas, símbolo de
fertilidade 6 e 7 – As
equipas trajam luxuosamente 8 – Uma
equipa de amazonas 9, 10 e 11 –
Cada equipa é composta por 3 cavaleiros, montando geralmente anglo-árabes 12 – Os
arreios são extremamente adornados e coloridos 13 – Uma das
40 equipas que desfilam 14 – A
carga, espada em riste 15 – 50.000
espectadores ... 16 – Na
assistência há simpáticas sardas 17 – Em Santu Lussurgio, o jogo consiste em descer a rua à maior velocidade possível, de braço dado
Associação
Portuguesa do Cavalo Árabe (APCA) Na Assembleia-geral da Associação Portuguesa do Cavalo Árabe, foi
decidido avançar com o projecto, sugerido pelo seu Presidente, que consiste na
realização de um livro, em edição “de luxo”, sobre o
Puro Sangue Árabe em Portugal. Nessa
edição, uma primeira parte tratará das generalidades da raça: Origem do PSA;
Características do PSA; O PSA na Arte; O PSA no Mundo; O PSA em Portugal.
Seguir-se-á uma segunda parte (aproximadamente 200 páginas), dedicada aos
criadores, proprietários e utilizadores do PSA em Portugal. Estes, disporão de
várias páginas ricamente ilustradas com fotografias dos seus animais
(realizadas pelos especialistas do editor), que serão acompanhadas por um texto
em português e inglês. Manuel Heleno deu a
conhecer a grande qualidade da edição em projecto e explicou o interesse de
uma tal realização que, incontestavelmente, dará a conhecer a muitos a excelência
do Árabe português, que valorizará a nível nacional e internacional aquela
magnifica raça e que terá como resultado um aumento significativo das vendas
de animais PSA. Além de que, vendido em livraria durante anos, proporcionará
aos criadores, proprietários e utilizadores (desportistas, amadores, cavaleiros
tauromáquicos, etc.), a forma de imortalizarem as suas coudelarias ou os seus
animais, legando às gerações futuras um testemunho dos seus esforços, ciência
e paixão. A proposta teve um
enorme êxito e foi decidido avançar rapidamente com o projecto, para que a edição
seja lançada na Feira da Golegã do corrente ano e, sendo um lindíssimo
presente, aproveite a época das próximas compras de Natal. Em principio todos os criadores, proprietários
ou utilizadores de Cavalos Árabes foram contactados. No entanto, se não é o
seu caso deve contactar imediatamente a Associação Portuguesa do Cavalo Árabe,
por e-mail (puro-sangue-arabe@sapo.pt) ou por telefone (261961282).
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