|
|
Voltar à página Imprensa Retour a la page La Presse Page The Press
Notas soltas De quem é a culpa ?
Depois do mau resultado da equipa portuguesa no 25º Campeonato da Europa de Concurso Completo de Equitação (ver páginas precedentes), qual vai ser a atitude dos responsáveis pela disciplina e dos responsáveis pela criação cavalar nacional ? Irão eles pura e simplesmente ignorar o acontecido e continuar com uma política que os factos demonstram não resultar ? Ou, feridos no orgulho nacional, irão eles reflectir nas razões do acontecido, analisar a origem do desastre e preparar a “desforra” corrigindo o que há a modificar ?
Compreensivelmente é opinião generalizada que, a nível internacional, o CCE é a disciplina que melhor se adapta ao carácter dos portugueses e aos cavalos que podem ser criados nas nossas terras, e aquela em que podemos mais facilmente brilhar. Mas então como justificar o mau resultado obtido no Campeonato da Europa ? No nosso fraco entender aquele resultado não traduz de forma alguma as possibilidades nacionais na modalidade, mas sim a falta de condições que são dadas a todos aqueles que no nosso País lutam pelo CCE. Por curiosidade dei-me ao trabalho de comparar o número de provas internacionais de 2 estrelas ou mais realizadas pelos membros da equipa Campeã da Europa desde 1996, e o número de provas internacionais de 2 estrelas ou mais realizadas pelos membros da nossa equipa no mesmo espaço de tempo. O resultado é significativo: a equipa inglesa disputou exactamente 119 provas, a equipa portuguesa 11 ! Mas há melhor ! Cada cavaleiro da equipa inglesa monta anualmente, em média, mais de 200 provas nacionais, enquanto que cada membro da nossa equipa participou em média em menos de 10 provas ! Com esta incrível desproporção de experiência como é possível competir e obter bons resultados ? A preparação de uma equipa para um Campeonato da Europa, ou para uns Jogos Olímpicos, exige um esforço muito grande das autoridades responsáveis, planeado sobre vários anos, sem o que, por maior que seja o trabalho e a coragem dos concorrentes, é impossível competir internacionalmente. Antes de mais, devemos poder seleccionar de entre um grande número os cavalos que maior aptidão mostrem para o CCE. E porque se trata de, obrigatoriamente, poder escolher entre um grande número, temos de eliminar a utopia das importações, sempre limitadas quanto mais não fosse por questões económicas. Além de que devemos proteger a economia nacional encorajando a criação cavalar portuguesa, tanto mais que os nossos animais, com a sua generosidade e “coração”, demonstram ser tão bons em CCE como os nascidos no estrangeiro. Numa primeira fase temos portanto de atrair para a modalidade um número elevado de conjuntos. Para o conseguir é necessário calendarizar 2 ou 3 pequenas provas por mês, de Março a Outubro. Estas provas, de um dia, devem ser orientadas para cavalos de 4, 5 e 6 anos, separadamente, o que exige somente a existência de percursos muito simples, com obstáculos ainda mais simples, de fácil construção e baratos. Evidentemente, os eventuais candidatos a organizadores terão de receber a indispensável ajuda moral e material dos vários organismos responsáveis, que dependem de vários ministérios (sim Senhores Ministros, é convosco !), que assim investirão no futuro da modalidade e por consequência na economia e prestígio nacionais. É organizando provas para cavalos novos, fáceis e numerosas, que o interesse geral pelo CCE nascerá, que os concorrentes surgirão em grande número, que o entusiasmo crescerá, que os bons cavalos aparecerão e que os futuros cavaleiros olímpicos se farão notar. Foi o que aconteceu em França, país que começou há poucos anos o seu verdadeiro esforço em favor do CCE, mas que no ano passado já organizou 120 concursos oficiais para cavalos de 4, 5 e 6 anos, e 171 concursos para todas as idades. Resultado de uma política inteligente e programada em vários anos: os franceses são Vice Campeões da Europa, Campeões do Mundo dos 6 anos, Campeões do Mundo dos 7 anos e Campeões do Mundo por raças, tudo neste último mês de Outubro ! É só depois da 1ª fase ser posta em execução com o maior cuidado e entusiasmo, e de termos conseguido um número de conjuntos razoável, que nos devemos preocupar em organizar e aumentar o número de provas de maior nível, organizando concursos de duas ou três estrelas, nacionais e internacionais. E porque não começar desde já a pensar (com tempo ...), na organização de uma prova mundial de elite, um “badmington português”, que seria o orgulho nacional e que poderia aproveitar, justificar em grande parte e rentabilizar um pouco as somas altamente consideráveis que foram (e continuam a ser), investidas na Coudelaria de Alter ? Acreditem que não é um sonho mas sim uma realidade relativamente fácil de realizar, dadas as infra-estruturas existentes e em construção, dado o nosso clima e dado que Alter se encontra em “zona desfavorecida” ! E para aguçar o apetite de quem se interessa e de quem se deveria interessar, lembro que o CCI de 4 estrelas, em Badmington, leva ao local uns 400.000 espectadores ! Anualmente ! Manuel Heleno
Voltar à página Imprensa Retour a la page La Presse Page The Press
|